Ocorrência da resistência aos β-lactâmicos associada às carbapenemases (KPC) em uroculturas
Palavras-chave:
urocultura, resistência bacteriana, beta-lactamases de espectro estendido, ESBLResumo
A infecção do trato urinário (ITU) é caracterizada pela presença de bactérias nos rins, ureteres, bexiga e uretra. A terapia antimicrobiana é necessária em casos de ITU sintomática; entretanto, a escolha da classe terapêutica depende do local da infecção e da presença ou ausência de complicações. As beta-lactamases possuem capacidade de hidrolisar a maioria dos antibióticos beta-lactâmicos, contribuindo para o aumento da resistência bacteriana. O presente estudo teve como objetivo determinar a resistência aos beta-lactâmicos por meio da análise de uroculturas com crescimento bacteriano maior ou igual a 10⁵ UFC/mL e respectivos antibiogramas de pacientes atendidos em um laboratório de análises clínicas no interior de Minas Gerais, no período de dezembro de 2021 a novembro de 2022. De um total de 4.132 uroculturas analisadas, 537 atenderam aos critérios de inclusão do estudo. O sexo feminino foi o mais acometido, correspondendo a 90,50% dos casos, com predominância na faixa etária entre 20 e 59 anos. Entre os homens, a maior ocorrência foi observada em indivíduos com mais de 60 anos. As bactérias mais frequentemente isoladas foram Escherichia coli, Klebsiella sp. e Enterobacter sp. A ampicilina apresentou a menor efetividade frente às cepas isoladas, seguida por sulfametoxazol-trimetoprima, cefalotina e ciprofloxacino. Das 537 uroculturas avaliadas, 12 apresentaram fenótipo ESBL. As bactérias identificadas com esse perfil foram Escherichia coli, Enterobacter sp., Citrobacter sp. e Klebsiella sp. Os resultados evidenciaram a presença de resistência bacteriana significativa aos beta-lactâmicos. Ressalta-se que os achados devem ser interpretados considerando-se as limitações relacionadas à amostra específica e ao contexto regional do estudo.